segunda-feira, 10 de junho de 2019

(Resenha) A Balada da Bandoleira: High Noon


Se eu tivesse que resumir este livro em uma frase, seria uma pergunta: “onde está seu deus agora?”. O que era uma mistura improvável se provou a melhor ideia do ano. "A Balada da Bandoleira" é um épico que consegue misturar o melhor de duas grandes escritoras e promete bagunçar muito mais do que sua cabeça.

Resumo da história:

Depois de um duelo de vida e morte, Marysol (a Bandoleira) é atirada em um outro mundo através de um portal aberto com magia de sangue e vai parar entre os humanos; Ruan (o Maldito), seu combatente, também usou um portal para o mundo humano, mas foi um mundo diferente daquele em que Marysol havia sido atirada. Ela, confusa e sem memória, somente consegue se lembrar de que estava perseguindo alguém e que precisava encontrar esse alguém e matá-lo. Ele sabia muito bem o que queria, e também sabia que a Bandoleira estava em um mundo diferente. A única coisa que ele não sabia é que havia se transportado para um mundo de humanos. Nenhum dos dois acreditava que humanos existissem. Pensavam que os humanos eram lendas, histórias da carrochinha que serviam apenas para assustar as crianças de seu mundo.
Quando a Bandoleira percebe que está em um mundo diferente do mundo do Maldito, ela começa a perseguir um portal para encontrá-lo. Consegue abrir um e, depois disso, a perseguição começa. Não apenas ela persegue Ruan, mas ambos procuram encontrar seus dublês no mundo humano, suas versões em uma outra linha de tempo, porque esses dublês aumentariam suas forças e lhes dariam uma vantagem na hora do duelo.


Primeiras impressões

Eu comecei a ler este livro cheia de expectativas. Já li quase tudo da Fernanda W. Borges, e sou fã incondicional da B. Pellizzer, então preparei meu chá de funcho, cruzei as pernas, ajeitei minha almofada no sofá, respirei fundo e comecei. Quando terminei de ler o prólogo fiquei tipo: “o que está acontecendo?”

Não vi nenhuma das duas no prólogo. Foi um prólogo suave, quase, quase um primeiro capítulo de livro de autoajuda. Manja? Ame a si mesma e toda aquela coisa... Aí eu fiquei tipo: onde estão os sequestradores malucos e os traficantes de órgãos humanos da Fernanda? Cadê a falta de fé da B. Pellizzer? Quero odiar sem sentir culpa, não aprender a amar a mim mesma!

Mas então eu fui para o primeiro capítulo e vi aquela mulher ao lado daquela estrada de ferro, eu quase podia sentir o sol queimar a pele dela, e ali, eu já comecei a enxergar as minhas escritoras. Enxerguei a B. Pellizzer no calor do sol na minha própria pele, enxerguei a Fernanda no capricho de explicar que tipo de roupa a moça desmemoriada vestia, e voltei a relaxar.

Aviso aos leitores: não pulem o prólogo. É no final do livro que a gente entende a genialidade daquele prólogo, porque ele não é um retrato de quem escreve, é de quem narra, e o narrador é uma personagem. Isso não é spoiler. Vai ficar muito claro, já no primeiro capítulo, que o narrador é uma das personagens do livro, e eu prometo, você vai ficar de queixo caído quando descobrir quem é.

Os personagens

Eu gosto de vilões, me processem, e fiquei quase metade do livro apaixonada por Ruan, o Maldito, até que seu dublê no mundo humano apareceu. Se eu pudesse juntar os dois e fazer um só pra mim, eu juntaria. Ruan é um personagem delicioso e engoliu a protagonista, como sói acontecer com os melhores vilões.

Gostaram da palavra "sói"? Aprendi lendo o livro. Vantagens do dicionário do Kindle. Se você também não conhece essa palavrinha maravilhosa, clique aqui; se quer saber como conjugá-la, clique aqui

Voltando ao Ruan, o (delicioso) Maldito, ele é cínico, canalha, e cheio de sarcasmo; seu dublê humano, Rogério, é um médico que, sozinho, já havia descoberto a possibilidade de viajar entre os mundos e tinha passado alguns anos de sua vida procurando por um portal. A cena em que Ruan e Rogério se encontram pela primeira vez é uma das passagens marcantes do livro. Memorável.

Não vou falar de todos os personagens, claro que não, só dos seis protagonistas, para vocês saberem o que os espera.

Marysol, a Bandoleira, renegou a própria magia em seu mundo porque achava muito fácil resolver as coisas com mágica. Ela preferia suas pistolas e seus punhos e, acreditem, a moça sabe brigar. A única coisa mágica que carrega consigo, é um violão antigo que ela nem sabe por que foi que roubou.

Solymar, a dublê de Marysol, é uma barwoman que precisou largar a faculdade depois que seus pais morreram. Ela é tímida e cheia de medo, quase o oposto de sua dublê.

Ruan, o Maldito é um mago poderoso. Ao contrário da Bandoleira, ele sempre valorizou a magia e passou a vida tentando se tornar um mago melhor, seu objetivo é dominar a morte, tornar-se imortal.

Rogério, o Bendito, o dublê do Maldito, é um médico de QI altíssimo que se acidentou em uma corrida de cavalos e ficou paraplégico. É o personagem mais consistente da trama. Um ser humano cheio de desencontros e que carrega uma ânsia de dominação muito parecida com a de seu dublê.

Tico (Thiago) é um menino de rua, e é ele quem torna possível que Marysol encontre Ruan. Ele estava presente em um dos momentos em que Ruan praticou suas maldades no mundo humano, e também estava presente quando Marysol atravessou o portal e caiu no nosso mundo. Uma cena maravilhosa! Vocês precisam ler. 

Danielle é uma delegada, e é dublê da irmã de Marysol, é também "amiga" de Tico. É na casa de Danielle que Marysol estabelece seu quartel-general.

O que o livro tem de delicioso

Os diálogos. Em tudo o que eles têm direito. Quem tá acostumado a ler B. Pellizzer sabe da capacidade que ela tem de dar uma voz para cada personagem. A gente nunca precisa ler o “disse fulano” no final da fala, porque seus personagens têm identidade, coisa difícil de se ver. Num livro com tantos personagens, pensar-se-ia que isso não aconteceria. Ah! Mas aconteceu. E não só eles têm identidade, eles têm sotaque. É uma viagem doida demais!

O que o livro tem de extraordinário

O impossível é um conceito inexistente. Quando você pensa que já viu de tudo, você lê uma cena inimaginável. E isso é já no começo. O inimaginável mais marcante vem quando o Maldito realiza sua primeira magia no mundo humano. Ah o dedo de digitar um spoiler bem grande chega a tremer. Que cena! Que cena!

O que o livro tem que é exatamente igual a qualquer história

O clichezão do livro fica por conta do já batido e rebatido conceito "não gosto dos humanos, mas depois que passei a conviver com eles, passei a entender e até a amar". Agora tenho sentimentos e toda aquela coisa.
Não sou contra clichês, de jeito nenhum, eles existem porque funcionam, e funcionou nesta história também.

B. Pellizzer e Fernanda W. Borges

O final

Semana passada, a Soninha escreveu um artigo que concluiu dizendo que estava torcendo para a Fernanda ter escrito o final de "A Balada da Bandoleira". Eu fiquei dividida por um tempo, (já falei que sou fã da bandoleira de sobrenome Pellizzer, não falei?), mas confesso que, depois de ler A Balada... precisei concordar com ela. 
Obrigada, Fernanda W. Borges, por ser uma alma boa. Eu já te admirava; agora, eu te venero.

Explico: 
A B. não tem qualquer apreço pelo emocional do leitor em seus finais. Aquele momento em que o seu coração dá um salto e você abre a boca meio que se perguntando "e agora?", é bem nessa hora que ela termina o livro. 
O momento "e agora?" de "A Balada da Bandoleira" aparece quando a personagem que narra revela sua identidade. É aquele momento em que você fica bem assim: 


Imediatamente eu olhei para o pé da tela do leitor digital e respirei aliviada: ainda tinha livro pra ler, porque, se o livro tivesse terminado ali, eu teria dado um ataque. Sério. 
Com o coração cheio de alegria, eu virei a página. 
Tinha uma figura.
Uma figura...
Uma fi-gu-ra, imagem, vetor, uma extensão da tortura.

Vocês não entendem a agonia disso, e eu não ligo se isso for considerado spoiler, porque eu preciso que vocês saibam: não há necessidade de sofrer. Tem mais livro na frente. 
Aquele provavelmente foi o final da B. Pellizzer, mas a linda da Fernanda W. Borges nos protegeu deste mal. Amém! 

Claro que eu estou conjecturando. Eu não tenho a menor ideia de quem escreveu o quê (apesar de ter tentado adivinhar), o texto está uniforme, irretocável, e o melhor, inclusive no final, quem lê pode ter um pedaço delicioso de cada uma das duas. 

A Balada da Bandoleira: High Noon está disponível na Amazon e fazendo o maior sucesso. Chegou às primeiras posições já no dia do lançamento, sucesso mais do que merecido.

Quem curte uma fantasia moderna com uma pitadinha de velho oeste não pode perder. 

*** 


E-book gentilmente cedido pela Editora Raredes. ;)



terça-feira, 4 de junho de 2019

B. Pellizzer e Fernanda W. Borges – o que esperar?

A Editora Raredes lançou, no domingo, o romance fantástico “A Balada da Bandoleira: High Noon”, uma parceria entre as escritoras Fernanda W. Borges e B. Pellizzer.
Eu, cá do meu lado, fico apenas me perguntando o que pode ter saído de uma mistura tão improvável.




As duas são extremamente talentosas e, me arrisco a dizer, a Betti (nome escondido atrás do B.) é uma das melhores escritoras brasileiras da atualidade. Ponto. Assim, sem discussão. Se ela começar a escrever rótulo de xampu, eu vou ler no banheiro, torcer para o metilparabeno se dar bem no final e quando, finalmente, o rótulo terminar com o melancólico “sem sal”, minhas lágrimas vão se misturar às águas do banho, porque é isso o que a Betti faz. Ela transforma qualquer, qualquer coisa, em uma boa leitura.



A Fernanda escreve romances policiais bem estruturados com um ritmo rápido que prendem a gente do começo ao fim enquanto tentamos descobrir quem matou quem, quem traiu quem, quem vai pegar quem. E sempre tem um monte de “quens”, e eles estão sempre se matando, se traindo, se pegando. Uma loucura.


A Fernanda cria universos limitados onde coloca um monte de personagens amontoadas e tentando se destacar, se digladiando naquele espaço, combatendo um ao outro, a Betti cria universos gigantescos onde dois ou três protagonistas têm trânsito livre; a Fernanda é atenta aos detalhes, às descrições, aos nomes, a personagem pode aparecer por duas linhas no texto, mas vai ganhar um nome, um CPF e um endereço domiciliar (sim, eu estou exagerando), a Betti, quando muito, diz que a personagem tem cabelo preto e cheiro de canela, eu já li livro dela em que ela nem perdeu tempo descrevendo a personagem, simplesmente pediu ao leitor que desse o rosto que lhe fizesse feliz (não, não estou exagerando); a Fernanda é toda a ação, a Betti, emoção.

Vou exemplificar.

Uma personagem com uma faca na mão.

Se a Fernanda entregar a faca, você vai enxergar a personagem, saber exatamente onde ela está, saber o tamanho da faca, a cor do cabo a envergadura da lâmina.

Se a Betti entregar a faca, você não vai nem ter certeza de que é mesmo uma faca, mas vai sentir como se estivesse na sua própria mão, vai sentir o frio da lâmina, vai escutar o barulho do corte.

Essa é a diferença principal entre as duas.

No campo personagens, as duas gostam de trabalhar o dúbio do ser humano. Não existem personagens com caráter perfeito mas... — sim, aqui também tem um mas —, a Fernanda costuma deixar bem claro quem é vilão e quem é mocinho; a Betti só te apresenta a personagem, não a julga, deixa que você decida se aquela personagem é do bem ou não.

E os finais?

Senhor! Como eu explico?


A Fernanda é gente boa com quem lê. Simples assim. Ela termina os livros suavemente, vai fazendo a coisa acontecer, prepara o leitor para o que vem, e a gente termina a história com aquele sentimento de tranquilidade, de realização, com o coração em paz.

A Betti? A Betti é uma filha de uma boa mãe (sim, eu queria digitar um palavrão). Não existe final em que a gente não precise respirar fundo e colocar o coração de volta no lugar. A gente sempre termina os livros da Betti com a boca aberta e aquela sensação de incompletude, aquela ressaca, aquela coisa toda bagunçada na cabeça. Até hoje não decidi se eu amo odiar os finais dela, ou se eu odeio amar aqueles finais, porque são eles que fazem a história ficar na gente.

Por dias.

É uma maldição.


Enfim, estou muito feliz por ser blogueira. Recebi o livro e vou começar a devorar agora mesmo, torcendo para a Fernanda ter escrito o final.

Se você ainda não conhece nenhuma das duas, tá na hora de começar. Seja você um leitor de romances policiais, seja você um leitor de dramas que gosta de um final bem sacana, não vai se arrepender de visitar os universos dessas duas escritoras talentosíssimas.

Para adquirir “A Balada da Bandoleira: High Noon”, clique aqui

terça-feira, 9 de abril de 2019

(Lendo agora) O segredo do Senhor Sapatos - Michael Petranski

 O Segredo do Senhor Sapatos

Sinopse


O PEQUENO PRÉDIO DE LUXO TINHA TRÊS ANDARES. Havia sido construído pela Família Peterson em 1965, mas o patriarca Stephen Peterson acabou vendendo quase todos os apartamentos. Restaram apenas os do terceiro andar, que ele havia reservado para seus filhos. Peterson era rico e cultivava uma imagem respeitável, por isso, quando um apartamento ficava vago, era ocupado rapidamente. 

É nesse prédio aparentemente seguro e tranquilo, o prédio dos Peterson, que se desenrola o enredo desse suspense psicológico, quando o Senhor Sapatos, juntamente com seus companheiros, decide fazer justiça e, para isso, todos naquele prédio deverão morrer. 

Não se deixe enganar pelo título inocente: "O segredo do Senhor Sapatos" é um suspense curto, intenso, e cheio de cenas fortes. 



Primeiras impressões


Vou me divertir muito! 


(Resenha) A Cuca - Contos do Folclore Sombrio - Livro 1

Você é um saudosista dos Anos 80? Curte cultura brasileira? É chegado num folclore? Morre de saudade dos bons tempos de Cindy Lauper? Todas as alternativas anteriores? Este é o livro pra você!


Editora Raredes - Marcelo de Lima Lessa

Sinopse


Em 1926, lá pras bandas do Capoeirão do Diabo, uma menina de franja curta e cabelos na altura da bochecha chamada Araceles foi levada de sua casa por uma bruxa perversa de dentes podres e fala difícil. Depois de dois dias trancada numa jaula, conseguiu fugir e aprisionar a bruxa com a ajuda de uma moça que tinha cascos no lugar das mãos. Mas antes de cruzar o Rio da Estrela e da Cruz que a levaria de volta para casa, Araceles ainda teve tempo de ouvir a maldição da bruxa: “Fumaça das trevas, demônios do mal, saiam das chamas e persigam essa tal”.

Sessenta anos depois, a pequena Araceles virou Dona Céles; ainda assim, aquela maldição a alcançou. A bruxa conseguiu se libertar e, como vingança, carregou para o Capoeirão do Diabo sua neta Julinha, deixando para trás um recado na forma de uma rosa azul que permaneceria viva por três dias. 

Doente, sem poder fazer nada mais, Dona Céles entregou a seus outros netos, Pilo, Caloca e Bibi, as únicas coisas que tinha para lutar contra a bruxa: um diário e uma garrafa vazia. E foi assim que o “Trio Furacão” deixou a cidade de São Paulo e se embrenhou pela pequena cidade de Perdões, em busca de uma bruxa que não tinham certeza de que existia para encontrarem sua prima Julinha antes que aquela rosa azul perdesse suas pétalas.


Primeiras impressões


Quem vai ler "A Cuca" logo depois de ler "Gênesis Proibido - A tragédia de Adão e Lilith" (que eu deveria resenhar, mas que é tão bom, mas tão bom, que eu ainda tô pensando em um jeito de falar a respeito), vai estranhar um pouco. O autor, Marcelo de Lima Lessa, viaja por universos completamente diferentes nos dois livros, mas isso não tira o mérito de "A Cuca", pelo contrário, somente mostra a versatilidade do autor.

A história começa em 1926, quando A Cuca sequestra a menina Araceles que, com a ajuda da Mula-sem-cabeça, consegue prender a bruxa, e escapar. Araceles cresceu, apareceu, mudou-se, constituiu sua família, teve filhos e netos e durante todo esse tempo, a Cuca ficou presa no mesmo lugar que Araceles havia deixado, até que chegou o fatídico dia em que ela finalmente conseguiu escapar e, como vingança, sequestrou a neta de dona Araceles.
E aí começa a viagem. Viagem dos personagens que vão em busca da menina, e viagem do leitor por tempos mais simples. Tempos de fitas cassete, de Playcenter (gente de São Paulo, toca aqui!), tempos de "Girls just wanna have fun", tempos em que ser revolucionário era ter o corte de cabelo da Cindy Lauper.
Depois dessa viagem ao passado, existe uma segunda viagem, talvez fosse mais adequado usar a palavra mergulho... um mergulho no folclore brasileiro. A Cuca tem Saci, Curupira, Lobisomem, Matinta-Pereira, enfim, um desfile de personagens folclóricos que a gente não vê se exibindo por aí todos os dias.

Existe muita ação e um lado cômico proporcionado pela "covardia" do personagem Caloca (o meu preferido) que vale a pena conferir.

O que é muito bom no livro


O autor realmente mergulhou no folclore e é possível aprender muito lendo o livro, e quando eu digo aprender, digo aprender no melhor sentido, enquanto está se divertido. Você nem percebe o quanto aprende de sua própria cultura enquanto tá lá rindo do Caloca que foge apressado da Loira do Banheiro.

Os personagens são muito bem construídos, as falas estão perfeitas com os sotaques, a gente até ouve os "bichim" falando.




Momento pelo-amor-de-deus-não-faça-isso-comigo do livro


Gente, eu queria poder contar isso pra vocês sem dar spoiler, mas não posso, mas teve um momento no livro que eu parei, respirei fundo e pensei: por favor, não; por favor, não; por favor, não. Quem já leu, vai entender quando eu disser o nome Malú.

Maluzinha....

Só vou deixar esse recadinho aqui porque, se por acaso o autor viver a ler essa resenha (uma blogueira tem o direito de sonhar), ele precisa saber que não se faz isso com o coração de um leitor.




A Malú, não!


Referências Década de 80




Eu já tenho lá quase (eu disse quase) meus cinquenta anos (mas ainda tô bonitona, juro!), então me identifiquei bastante com essa saudade, mas houve alguns momentos em que o autor pesou a mão. Pra mim, ficou muito claro que o livro era muito um desejo de colocar alguma coisa pra fora, não sei, posso estar errada, mas parecia que ele PRECISAVA mostrar pra gente aquela infância que ele teve e que não necessariamente incluiu aventuras com sacis presos em garrafas, só que entre o sequestro da pequena Julinha e o momento em que o Trio Furacão finalmente a encontrou, algumas referências ficaram deslocadas, tamanha era a vontade que o autor tinha de fazer a gente se lembrar daquelas coisas.


Conclusão

A Cuca, Contos do Folclore Sombrio Livro 1 é um livro diferente e delicioso. Diferente, mesmo. Eu nunca pensei que leria um livro com uma mistura tão bem feita de saudosismo, interior e metrópole. É um Realismo Mágico bem brasileiro, coisa difícil de se ver. Na verdade, eu ainda não tinha visto. Os elementos mágicos/folclóricos são inseridos naquela realidade da Década de 80 e o autor realmente consegue fazer a gente acreditar que aquilo tudo aconteceu.

Então, acho que o jeito perfeito de concluir essa resenha, é com o primeiro parágrafo da história.


"Quem haveria de acreditar na história que eu irei contar? Os acostumados às modernidades do dia a dia, há muito despidos do espírito aventureiro que um dia tiveram, se é que tiveram, talvez me tachassem de louco. Mas a grande verdade é que, nesses rincões perdidos da vida, principalmente os mais afastados, tudo é possível."


Pois é! Quem haveria de acreditar?

Eu acreditei.


O livro nos foi gentilmente cedido pela
Editora Raredes, que acabou de desembarcar no Brasil mas já tem um catálogo nacional lindo, vale a pena conferir.

Agora eu vou lá, ver se aprendo a usar o tal do Instagram que me disseram que todo blogueiro precisa ter hoje em dia.


Dicas?






terça-feira, 5 de setembro de 2017

(Resenha) Sob do signo de Escorpião

Adivinha quem voltou a ser assunto do Blog? Ela mesma: Fernanda W. Borges, que já foi Fernanda Borges, e que está lançando seu terceiro livro de uma série neo-noir deliciosa. Sob o signo de Escorpião é mais um lacre dessa louca escritora de thrillers policiais.


Capa - Sob o Signo EscorpiãoNa turística Búzios do Réveillon de 2013, duas mulheres são encontradas mortas em uma mansão sob circunstâncias misteriosas. Os inspetores Douglas e Renato são designados para o caso e, enquanto o primeiro precisa enfrentar seu passado e seu receio de reencontrar Daniela Vidal, o outro faz o que pode para não cometer os mesmos erros de seu parceiro.

Femmes fatales se enfrentam e, como em um jogo de xadrez, somente uma rainha poderá restar em pé quando certa organização ressurgir das cinzas e incitar a luta por um novo líder.

Mais noir do que nunca, Sob o Signo de Escorpião – Parte 1 traz de volta personagens já conhecidos do leitor, como Daniela Vidal, de Orgasmos Fatais, e Laura Montenegro, de O Reverso do Destino, que — tendo inimigos em comum — se unem para levar adiante suas vinganças.

Neste thriller emocionante, que mistura assassinato, sadomasoquismo, sexo e drogas, Fernanda W. Borges nos apresenta a mais um de seus jogos policiais, em que a justiça nem sempre tem a ver com o cumprimento inequívoco da lei.


Fernanda W. Borges

1555384_224450807742296_1760895626_nEstamos num ponto de relacionamento com esta escritora, que já começam a ficar suspeitas as resenhas, porque o leitor olha e pensa: “Vão babar o ovo da Fernanda de novo…”

Mas, sério…Que culpa nós temos se a mulher é fera?

Então a gente vai continuar falando bem, até pra poder continuar lendo os livros dela em primeira mão.

Isso mesmo! Morram de inveja! Lemos antes de todo mundo…

A gente sêmo ispeciau!

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Fernanda escreve thrillers policias do gênero neo-noir. Se a gente não explicou antes, noir é um gênero de ficção cuja característica principal é a não idealização das figuras de autoridade. Os policiais, detetives, heróis, mostram seu lado humano e falho. Seus vícios, seus desvios de comportamento, aquela partezinha especial que prova que é humano. Fernanda consegue fazer isso perfeitamente. Tão perfeitamente que não é raro nos perguntarmos se aquele herói é mesmo um herói, ou nos colocarmos no lugar do vilão. São todos humanos que erram e acertam, mas alguns têm a difícil missão de fazer cumprir a lei, mesmo que a lei nem sempre signifique justiça.


A história

A última resenha de um livro da Fernanda, quem escreveu foi a Betti, e foi de O Reverso do Destino. A história foi tão louca e cheia de saltos que ela não conseguiu contar, precisou usar emoticons. Agora a mocinha tá importante demais (cof, cof) pra escrever pro blog, e me passou a árdua missão.

Eu disse pra mim mesma: “Detona, Sônia!”

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Sentei na frente do computador e… cri… cri.. cri…

Não dá!

Não dá pra falar da história sem dar spoiler. Muitos, muitos, spoilers. Principalmente dos dois primeiros volumes da série.

Mas… como eu me recuso a usar emoticons e não sei colocar gifs no post (AHAHAHAHAHAHA) vou tentar contar um tiquinho do que o leitor vai ver.

Sob o Signo de Escorpião começa contando um pouco da infância de Daniela Vidal e de Laura Montenegro, as mulheres fortes dos dois primeiros livros da série. E quando eu digo “contando a infância”, eu digo “contando a infância do jeito que Fernanda W. Borges conta uma infância. Gente morre, gente se droga, ninguém sabe como nem porquê até que ela queria que a gente saiba.

Quando a história chega ao tempo presente, poucas páginas depois, ela se ambienta em Búzios, durante o Reveillon, e já começa uma dupla de lésbicas em uma transa quente em que as duas acabam mortas. Este é o crime que os já conhecidos Douglas e Renato irão investigar.

A partir daí toda uma sequência de eventos é desencadeada e muitos outros crimes são cometidos e muitos núcleos de personagens são movimentados.

Em alguns momentos parece que nada faz sentido, que você vai enlouquecer tentando desvendar o mistério, tentando solucionar os crimes, tentando descobrir o culpado, mas acredite: no final, tudo faz sentido.

Tudo faz sentido.

Mesmo que carros tenham explodido, mulheres tenham apanhado, crianças pareçam psicopatas, pessoas voltem do reino dos mortos, homens poderosos afirmem sua autoridade, e etc., etc., etc…., no final, tudo faz sentido.


Fazendo suspense

Estávamos debatendo outro dia e concordamos em uma coisa: os livros da Fernanda são realmente bons. Têm muita ação, têm aquele mistério todo cujas peças vão se encaixando aos poucos. Às vezes até parecem que já se encaixaram, mas o leitor se obriga a recomeçar todo o quebra-cabeça.

Mas entender o quanto o livro foi bem escrito, é na segunda leitura que se consegue. Na primeira leitura você devora, você só quer saber de descobrir o que aconteceu, de ver o fechamento, de conhecer o mistério. Na segunda leitura, é que se percebe a genialidade da coisa, é que se vê cada pista jogada pela escritora para que o leitor, por ele mesmo, consiga desvendar o mistério.

É na segunda leitura que a gente olha e pensa: “Por que foi que não percebi isso?”

Acredite: se você gosta de Agatha Christie, vai gostar de Fernanda W. Borges.


Dica do LeVo

Não leia Sob o Signo de Escorpião antes de ler os dois primeiros livros da série: Orgasmos Fatais e O Reverso do Destino.

Não é que a leitura seja impossível (nós fizemos o teste), mas certamente você vai ficar boiando (ainda se fala isso?) em alguns momentos, além de se frustrar se, mais tarde, quiser ler os outros livros.

O Leitor Voraz Adverte_thumb[2]_thumb[2]

Onde Comprar

11024766_844001528976491_6840433292933597994_nPor enquanto, só na Bienal do Rio 2017. (Eu disse que a gente leu antes de todo mundo!)

A autora vai estar lá no dia 07 de setembro conversando com a a galera e autografando este e outros livros de sua autoria.

Depois da Bienal, poderá ser adquirido online pelo site da Livraria Drago.

Quer saber mais sobre a autora e bater um papo legal com ela sem ter que ir até o Rio de Janeiro para a Bienal? Siga a página no Facebook.


Leia também:

(Resenha) Orgasmos Fatais

(Resenha) O Reverso do Destino



(Resenha) Nem só de pão

Tenho cinco anos. Estamos indo para o BRASIL!

O navio é tão grande! É como uma grande casa, enorme, sobre a água. Tem um cheiro completamente diferente das casas na terra: uma mistura de óleo diesel — explicou-me meu pai —, mais um cheiro de tinta fresca, mais cheiro de comida em alguns horários e lugares. Além disso, os sons são diferentes, meio ocos. As janelas, que chamam de escotilhas, são totalmente fechadas. De todos os lugares, avistamos somente mar. Mar por todos os lados. Mar que muda de cor, como uma pessoa de humor.


Capa - Nem só de PãoQuando foi assinada a Paz, dando fim à Segunda Guerra, a Europa e os aliados se depararam com um problema: o grande número de refugiados dos países soviéticos que não queriam voltar para lá e não tinham para onde ir. Os aliados — americanos, ingleses e franceses — decidiram então reunir toda essa gente num mesmo lugar. Foram assim criados, na Alemanha, os campos para refugiados.

Foi criada uma comissão internacional para realocar os fugitivos da União Soviética. Vários países se prontificaram em receber certo número deles, como a Austrália, a África do Sul, a Argentina, o Brasil...


Momento Confissão:

Vou confessar que: livros com a temática Segunda Guerra Mundial não são os meus preferidos. Não é uma parte da história que me faça bem saber a respeito. Sempre me incomoda. Além disso, literariamente falando, a maioria dos livros sobre o assunto são muito parecidos. Hitler era mau, os judeus sofreram nos campos de concentração, houve uma boa alma que salvou uma grande parte, etc., etc.. Não me entendam mal, não é que queria ignorar tudo o que a história nos ensina, é só que já li isso tudo antes.  Quero alguma coisa diferente.

Nem só de pão traz esse diferente.

Ao invés de se focar nos Campos de Concentração, o livro mostra o lado dos Campos de Refugiados e, aqui, não estamos falando necessariamente dos judeus.

Mostra com crueza e com um realismo doloroso a situação de um clã que precisou deixar a União Soviética para fugir do domínio Nazista e acabou parando aqui neste nosso país quente e cheio de cores.


O que o livro tem de bom

A história é contada sob a ótica da filha mais nova da família. Carrega aquela mistura de impressões que a criança tem, cheia de esperança, amor e ingenuidade, misturada com depoimentos que colheu dos familiares e que estão carregados de dor, saudade e revolta.

Essa mistura de sensações e de sentimentos provoca saltos de humor durante a leitura, em o leitor é transportado da mais pura e sincera alegria, ao mais cruel e doloroso sofrimento entre uma página e outra.

As cenas são descritas com tanta emoção que quase se sente o frio do inverno russo durante a fuga, ou o cheiro adocicado das bananas quando finalmente chegam ao Brasil.


O que o livro tem de insanamente bom

imageA descrição dos personagens. Não sei se posso chamar de personagens, já que estamos falando sobre um livro de não-ficção, mas, afinal, nesta vida somos todos personagens. Não somos? Os que protagonizaram essa fuga foram muito bem descritos pela criança que fugiu com eles e pela mulher que escreveu o livro.

Natalia Plonski põe os personagens no papel, apresenta-os, faze-nos conhecê-los, nos apaixonarmos por eles, e depois conta sua história. A história de alguém que sentimos que conhecemos, e por isso conseguimos nos alegrar ou sofrer com eles.


O que não é tão bom

Ah! Sério? A quem estamos querendo enganar? Amei o livro inteiro! Estou chorando enquanto escrevo sobre ele. Queria ser capaz de contar tudo o que li, e dizer exatamente o que senti, porque me tocou imensamente.

Vai levar o selo Ressaca Literária do blog, porque é um daqueles livros que ficam na gente depois da leitura.


Nem só de pão viverá o homem

Ler Nem só de pão foi catártico. Até certo ponto e por um breve momento, transformador. Faz pensar em como o fio da vida estica, embaraça, se liberta e volta a se encher de nós. Nós apertados. Nós de marinheiro. Nós que parecem impossíveis de desatar.

Um dia, você é o chefe de uma família abastada, culta e influente, proprietária de terras, respeitada. No dia seguinte está fugindo pelo inverno gelado, vendo sua família se separar, perdendo aqueles a quem ama. Mais tarde, acaba em um país diferente, com uma cultura diferente, em que você não conhece nem ao menos o idioma.

Suas palavras não são mais ouvidas ou respeitadas. As pessoas te olham pelo canto do olho, às vezes te tomam por um estorvo. Não têm qualquer conhecimento da tua história, do teu caráter, dos sacrifícios que fizeste para estar ali, cuidando do que restou da tua família.

Ler Nem só de pão, me fez olhar para minha filha de doze anos e agradecer ao Senhor por ter me concedido a graça de ter nascido numa época melhor, num país que não foi afetado pelos horrores da guerra, por eu não precisar ver a minha menina passar pelos infortúnios por que passou Ada, a irmão de Natalia.

Ler Nem só de pão, me fez agradecer mais intensamente cada prato de comida quente que sou capaz de colocar sobre a mesa e, por aquele breve momento de gratidão, eu consegui estender minha empatia e minha prece de proteção e agradecimento a cada homem, mulher e criança que ainda vive os horrores de outras guerras ao redor do planeta.

Essa é uma força poderosa!


O Leitor Voraz Adverte_thumb[2]


Onde comprar

Nem só de pão é novinho em folha e será lançado na Bienal do Rio dia 07 de setembro, das 18:00 às 20:00 h.

Não estou recebendo dinheiro por esse merchan!

11024766_844001528976491_6840433292933597994_nPode ser adquirido no site da Livraria da Drago Editorial. Se ainda não estiver disponível para venda, manda um e-mail para o SAC deles. São muito atenciosos.

Para os entusiastas de e-book, ainda não está disponível para venda, mas avisamos aqui quando estiver.


Quer ter seu livro resenhado pelo LeVo?

Leia o Termo de Condições de Uso do Blog e mande o seu PDF pra gente. Mas não esqueça: lemos de tudo, mas não somos obrigados a gostar de tudo o que lemos. Nossas resenhas são expressão de nossa mais pura verdade pessoal.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

(Resenha) Duas Vidas: Encontro

Duas Vidas: Encontro é uma dessas coisas maravilhosas que a atual literatura nacional tem produzido. Existem livros que a gente lê, e esquece; e existem livros que te fazem viajar e entram na tua corrente sanguínea. Duas Vidas é da segunda categoria.


“Isabel é independente, despachada, não sabe se acredita em Deus e tem uma boca muito suja. O tipo de mulher que Rogério sempre desprezou; Rogério é o típico bom-moço, evangélico, de família, e até um tanto machista. O tipo de homem que Isabel nunca respeitou.
Mesmo com tantas diferenças, a cada passo que davam na direção contrária do outro, as forças invisíveis do destino os empurrava de volta."

Momento confissão: Vou confessar que estou com esse livro há quase um ano e eu tava com um pouquinho de medo de ler.

Por quê?

Porque aqui no blog a gente lê de tudo, mas não é obrigado a gostar de tudo o que lê, e a escritora desse romance é, não só minha conhecida, mas uma amiga. Então tem aquele momento tenso em que você olha para a capa da coisa e pensa: e se for ruim? E se for, tipo, muito ruim? O que eu faço?

Alguns dos leitores do blog também a conhecem: em tempos mais felizes ela já escreveu para o LeVo: B. Pellizzer é o nome literário da Betti Ferreira. Um deles, pelo menos.

O que eu sempre gostei na Betti é que ela é escritora por profissão, não se considera uma artista das letras, ela escreve e encara isso como um trabalho e, como com qualquer trabalho, faz com profissionalismo, então eu nunca tive problema para criticar o trabalho dela, quando solicitado exceto com este título, porque, desde a primeira vez que ela me falou sobre Duas Vidas, era como se estivesse falando de um filho, e por isso, meu medo sobre esse trabalho específico.

Então ontem foi meu primeiro dia de férias no meu trabalho remunerado (surpresa: blogs não enchem barriga!) e eu pensei: “Seja homem, Sônia!”.
Liguei meu tablet e…
….
...

Bem, a versão física de Duas Vidas tem 615 páginas e eu estou aqui digitando a resenha menos de vinte e quatro horas depois de iniciar a leitura. Tirem sua próprias conclusões.

Eu comi com o tablet na mão.

Eu fui ao banheiro com o tablet na mão.

Eu li enquanto a bateria recarregava.

O pouco que dormi eu sonhei com Isabel e Rogério, então eu tomei o café da manhã com o tablet na mão.

Vou até inaugurar uma seção nova aqui no LeVo chamada Ressaca Literária que é praqueles livros, como Duas Vidas, que continuam na gente depois que a gente termina. Eu estou com uma saudade tão grande dos personagens que é como seu eu os conhecesse pessoalmente e eles fossem meus melhores amigos. Você, viciado em livros, sabe do que eu tô falando, não sabe?

A sinopse que tá no começo da resenha, eu tirei da página do livro na Amazon. Não diz muita coisa e não chega a empolgar, né? Então deixa eu falar mais dessa história:
Isabel é uma daquelas moças populares que está sempre alegre e que tem um monte de amigos homens, sabe o tipo? Ela tá acostumada a ser livre, conversar com quem quiser, gosta de um palavrão, e é dona do próprio nariz.

Rogério é aquele crente certinho. Vai à igreja todas as semanas, ora antes de dormir e em todas as refeições, espera que a mulher escolhida por ele para ser sua esposa seja bela, recatada e do lar (Marcela Temer’s vibe), e totalmente submissa às vontades do marido.

Ela queria ser livre; ele não tinha a menor ideia de como viver sem estar preso a algum compromisso.

Ela terminou um noivado três dias antes do casamento e foi até uma discoteca pra se divertir. Tinha prometido a si mesma não namorar por um bom tempo (famosas últimas palavras); Ele tinha a mesma namorada há quatro anos e estava sendo pressionado a se casar, mas  não queria se casar com uma namorada com quem tinha estado toda a vida sem saber o que mais o mundo tinha a o oferecer então, escondido do família, foi à mesma discoteca que Isabel.

Os dois se conheceram  sob nomes falsos, ficaram (ela contrariando a si mesma, e ele traindo a namorada – não o julguem, crente também peca, gente) e não mais se falaram porque ela deu um número de telefone falso pra ele. A história é ambientada no final da década de 1990 e, naquela época, as pessoas dependiam dessa coisas quase obsoleta chamada telefone pra se comunicar.

Com o passar dos dias, Isabel, sem conseguir tirar Rogério da cabeça, resolveu visitar uma igreja evangélica em companhia de seu melhor amigo Franklin (uma figuraaaaça, vocês não acreditam!) e conheceu Rodrigo que, ela não sabia, era irmão de Rogério. Algumas semanas depois, Isabel e Rodrigo começam a namorar até que chega o momento inevitável do reencontro.

A história toda é escrita em segunda pessoa, ou seja, o livro conversa com você. É uma narrativa diferente do que a gente está acostumado, e eu adorei o estilo, mesmo que, às vezes, tenha sentido uma raiva secreta do autor. Explico: o recurso de conversar com o leitor é divertido e pouco usado, e faz você ficar concentrado na leitura mas, em algumas cenas, você tá lá, viajando legal na imagem que construiu na cabeça, e, de repente, o narrador para tudo pra te perguntar alguma coisa. A imagem congela, tudo para, e você se concentra no narrador. Meio como quando o teu filho te pede pra levar ele no banheiro na exata hora em que a mocinha vai ser esfaqueada pelo monstro nos filmes de terror.
 

Religiosidade x Religião x Preconceito

Por se tratar de uma história de amor entre alguém que declara não ter certeza se acredita em Deus e um evangélico convicto, é claro que a fé e a doutrinação são abordadas na história. Mas tudo é feito de forma tão leve que a gente nem percebe a importância das questões que estão sendo discutidas ali e, não foi só uma vez que a questão sobre o que conta mais:  ter fé, ou se empenhar nas obras e no amor ao próximo, foi abordada, mas não se preocupe, o livro não responde essa pergunta.

Com um narrador que não se identifica, e que conversa com quem está lendo a história, a única preocupação do autor é contar os fatos. Não há julgamentos.

Então assuntos como o namoro por conveniência que existe dentro das igrejas evangélicas; a doutrinação passiva de alguns fieis; o modo de vida daqueles que não acreditam em Deus; a incerteza de que uma pessoa pode ser boa mesmo sem acreditar em Deus; a mediunidade; o sexo antes do casamento; todos esses assuntos aparecem no decorrer da história e a gente vai mergulhando  naquilo sem perceber. Teve até uma viagem astral na história e, eu finalmente aprendi quem foi Jezebel além de ganhar algum respeito pelos evangélicos (sim, gente, eu sou daquelas que não entende evangélico, me processem), mas a história mergulhou tão fundo nas motivações e no amor por Cristo dos Evangélicos que eu meio que entendi muita coisa.
 

O que o livro tem de muito bom

Todos os personagens têm empregos normais e estudam.
Gente com horário; com compromisso, que usa o banheiro e que precisa pagar as contas no final do mês; não sei o que vocês acham, mas eu tenho andado meio saturada de tantos CEO’s e milionários nesses romances.
Isabel é secretária de médico (no começo da história) e Rogério é policial rodoviário, o Franklin é professor, o Rodrigo, bombeiro. Enfim, gente normal. Faz a coisa toda parecer ainda mais real.

A história é extensa, mas não é vã.
Como vou explicar? Bom… não tem verborragia, nem descrições detalhadas sobre lugares nem nada disso. É quase que cem por cento ação entre os personagens. Até, tenho que fazer um parênteses nessa coisa de descrição detalhada: B. Pellizzer é bem econômica com descrições. Se tem uma casa, é uma casa amarela com janelas brancas e isso deixa a gente livre pra imaginar a casa do jeito que der vontade, o mesmo ela faz com os personagens. Demorou algumas páginas até eu descobrir que Isabel tem cabelos negros, enrolados e peitos grandes porque, ao invés de focar no físico dos personagens, ela foca na personalidade, e eu acho que é por isso que eles são tão apaixonantes.

Depois de um tempo é como se você conhecesse os personagens.
Como se fossem seus amigos. Lá pelo meio do segundo capítulo eu já queria que Isabel fosse minha melhor amiga, já começava a rir só de pensar no Franklin, queria ter alguém como a Cláudia na minha vida e, na torcida entre os dois irmãos, eu confesso, fui mais o Rodrigo.

Não tem Pretérito-mais-que-perfeito.
Me irrita. Me julguem. Não parece natural.
Fulano nunca fizera questão de saber daquelas coisas… quem é que fala assim, gente?
A gente fala: fulano nunca quis saber daquelas coisas; ou fulano nunca fez questão de saber das coisas;  e tem até o famoso “tinha feito” que fica muito melhor do que fizera. Sei lá… implicância ou TOC, tanto faz. Me incomoda. Até porque a rega é clara: se escolher um tempo de conjugação verbal, deve se manter nele, e quem aguenta coisas como: “Parecera a ele que muitas horas tinham se passado desde que ele ousara olhar para a moça, que não percebera, no ato, a olhadela furtiva!”

As cenas de sexo.

Não é um livro hot, mas se você é maior de idade e namora, você transa, e não tem como contar uma história de amor sem ter algum sexo.
Quero aproveitar o ensejo e anunciar, em primeira mão, uma coisa que a B. Pellizzer me contou depois que eu liguei pra elogiar o livro: Duas Vidas era, originalmente, para ser um livro Hot, mas a história cresceu, a conquistou, e, no meio da caminho ela mudou tudo o que o deixou com o dobro do tamanho que tem hoje, então, logo, será lançada a versão SEM CORTES da história, só pra maiores.

Fica a dica pra quem curte um hot com conteúdo.

Ah Sônia, só quero ler a versão sem cortes, como vou saber se ela já lançou?

Se inscreve na nossa Newsletter que a gente avisa. Ou curte a página da maluca B. Pellizzer.
 

O que dá raiva na história

Essa era pra ser a seção: o que não é tão bom, mas, não vou mentir não, achei tudo bom no livro. Só teve uma coisa que me deixou muito puteada, e isso também foi bom, porque mexeu comigo (livros são pra isso, não são?)
Sim, livros são para mexer com a gente e fazer a gente pensar e até fazer eu ficar com as caras que eu fiz quando li o final.
 

P#ta qui os p@ri#.

Quando eu li a última página eu fiquei tipo
 
Daí eu fiquei meio:


E finalmente:
 



Se eu pudesse ir até Santa Catarina sem medo de trincar a tela do meu tablet eu tinha acertado a cabeça da escritora.

B. Pellizzer, minha filha, como você teve coragem?

Lamentando o final ou não, O Leitor Voraz recomenda e recomenda muito.

Disponível na Amazon. Quem tem Kindle Unlimited pode ler de graça. E, pra quem não sabe, não é preciso ter um Kindle para ler e-books da Amazon, basta instalar o app em qualquer celular, tablet ou computador.

Para os amantes de livros impressos, a versão física também está a venda na Amazon, no mesmo link, mas se quiser mais barato, também pode comprar a versão impressa pelo Clube dos Autores.

Dica do LeVo:


Comece a ler num sábado, ou véspera de feriado, ou em qualquer dia que você saiba que não vai precisar levantar cedo porque vai ser muito difícil conseguir parar de ler.


quarta-feira, 23 de abril de 2014

25º Concurso de Contos Paulo Leminski

Quer mais concurso literário? A UNIOESTE – campus de Toledo – PR, em parceria com a Prefeitura do Município de Toledo – PR, promove a edição de 2014 do Concurso de Contos Paulo Leminski, com prêmios em dinheiro.

toledoparanabrasao unioestebrasao

 

Podem participar quaisquer escritores interessados, independente de nacionalidade;

A inscrição é gratuita e vai até 31/07/2014;

Os trabalhos devem ser entregues impressos, em língua portuguesa ou espanhola, via protocolo na própria universidade ou via Sedex;

Temática livre.

Premiação:

- Primeiro prêmio: R$ 2.500,00 (Dois mil e quinhentos reais);
- Segundo prêmio: R$ 1.800,00 (Um mil e oitocentos reais);
- Terceiro prêmio: R$ 1.500,00 (Um mil e quinhentos reais);
- Melhor Conto Toledano: R$ 1.000,00 (Um mil reais).

Regulamento completo aqui.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Prêmio Paraná de Literatura 2014

A Secretaria de Estado da Cultura do Estado do Paraná, por meio da Biblioteca Pública do Paraná, institui o “Prêmio Paraná de Literatura 2014”. Prêmio em dinheiro mais a publicação do livro.

PremioParanadeLiteratura2014

- Cada autor poderá participar com apenas uma obra em cada categoria;

- Trabalhos inscritos em anos anteriores que permanecerem inéditos poderão participar novamente;

- Os trabalhos deverão ser inéditos;

- Poderão participar brasileiros maiores de dezoito anos;

- Serão contempladas três categorias: Romance, Conto e Poesia;

- Inscrições somente serão aceitas pelo Correio;

- Divulgação do resultado prevista para primeira quinzena de dezembro de 2014;

- Inscrições até 30 de junho de 2014;

parana2014

Premiação:


a) 1º lugar – Romance R$ 40.000,00
b) 1º lugar – Conto R$ 40.000,00
c) 1º lugar – Poesia R$ 40.000,00

Os trabalhos premiados serão publicados pela BPP com tiragem de 1.000 exemplares, sendo disponibilizados 100 exemplares para cada autor.

Regulamento completo aqui.

Ficha de inscrição aqui.

Prêmio Off Flip de Literatura 2014

Paralelamente com a Flip tem o já tradicional Prêmio Off Flip de literatura. Prêmios em dinheiro. Corre porque as inscrições já estão acabando.

PremioOffFlipdeLiteratura2014

A edição de 2014 do Prêmio Off Flip contempla três gêneros literários: conto, poesia e literatura infanto-juvenil.

Quem pode participar:

Autores maiores de 16 anos de qualquer nacionalidade residentes no Brasil, e também autores de países lusófonos.

Inscrições

:

Os autores poderão se inscrever em quantas categorias desejarem mas deverão participar com um único texto em cada categoria;

Poderão se inscrever até 05 de maio de 2014, e o valor da inscrição será de R$-90,00.

Poderão ser feitas somente pelo correio e será considerada a data de postagem.

Regulamento completo aqui.

Prêmio Saraiva de Literatura

R$-20.000,00 de prêmio e o seu livro distribuido pela Saraiva. Quem não quer? Inscrições até 31 de maio de 2014. Confere o post.

PremioSaraivadeLiteratura

Se você vive no Brasil e não chegou até aqui esta manhã em uma nave alienígena certamente já ouviu falar na Livraria Saraiva. Fundada em 1914, a Saraiva é, provavelmente uma das maiores livrarias do país e também é lider no comércio varejista na internet. E o que isso tem a ver com o Concurso Literário?

Bom, quem não gostaria de ter seu livro distribuído por uma gigante do setor como a Saraiva?

É esse exatamente o prêmio para o primeiro colocado no Prêmio Saraiva de Literatura, além da mixaria de R$-20.000,00 que deve ser pra comprar roupas decentes pra sua noite de autógrafos quando o livro for lançado. ;)

A organização do Concurso estará recebendo trabalhos literários inéditos nas categoria:

- Literatura Adulta (romance);

- Literatura Juvenil (crônicas);

- Literatura Infantil ( poesia).

Regulamento:

- A inscrição é gratuita e vai até 31/05/2014;

- A divulgação do resultado será em 30/11/2014;

- Poderão participar escritores brasileiros ou naturalizados, residentes em território nacional, maiores de 18 anos ou com autorização dos pais se forem menores;

- Para participar é preciso preencher a ficha de inscrição disponível na página criada especiamente pra o concurso  em http://www.premiosaraiva.com.br.

- As obras deverão ser inéditas.

- A Saraiva terá preferência na aquisição dos direitos de publicação dos originais inscritos pelo prazo de 6 (seis) meses após o término do concurso. Assim, os participantes poderão ser eventualmente contratados pela Saraiva.

Premiação:

Para o primeiro colocado em cada categoria o prêmio será:

- Certificado de Barras de Ouro no valor de R$ 20.000,00;

- Publicação do original da obra e comercialização pela Saraiva no ano de 2015 com tiragem de 2.000 exemplares;

- Publicação da obra em versão digital.

Para o segundo colocado de cada categoria o prêmio será:

- Certificado de Barras de Ouro no valor de R$ 2.000,00;

- Publicação do original da obra e comercialização pela Saraiva no ano de 2015 com tiragem de 1.000 exemplares;

- Publicação da obra em versão digital.

Para o terceiro colocado de cada categoria o prêmio será:

- Certificado de Barras de Ouro no valor de R$ 1.000,00;

- Publicação do original da obra e comercialização pela Saraiva no ano de 2015 com tiragem de 1.000 exemplares;

- Publicação da obra em versão digital.

Regulamento completo aqui.

Ficha de inscrição aqui.

(Resenha) A Balada da Bandoleira: High Noon

Se eu tivesse que resumir este livro em uma frase, seria uma pergunta: “onde está seu deus agora?”. O que era uma mistura improvável se p...