(Resenha) Órbis – Aurélio Mendes

Num futuro em que seres humanos são gerados em laboratório, e programados para servir ao Pai sem questionar, Musin se atreveu a pensar.
Com um argumento muito bem estruturado, Aurélio Mendes apresenta seu romance independente  e a gente aqui do LeVo se pergunta: o que há com as Editoras deste país que deixam tanta gente boa publicando anonimamente por aí?

ORBIS CAPA

No ano de 2045, os humanos são criados em laboratórios e permanecem enclausurados até a maioridade para que aprendam qual sua função na sociedade que é dividida em classes.

Os Corpora são os membros do governo. Dotados de extrema capacidade intelectual, têm o fenótipo padronizado também: todos possuem cabelos ruivos e olhos verdes.

Os Cistam, têm as suas habilidades motoras aprimoradas; e, os Caput, têm suas habilidades intelectuais aprimoradas. Fica estabelecido que Cistam e Caput precisam trabalhar em conjunto para que suas habilidades possam se complementar.

Os Arma são os embriões defeituosos cujas habilidades intelectuais ficaram reduzidas ao ponto de dificultar o pensamento. São totalmente submissos ao Pai. 1984-Big-Brother

O Pai, é a figura onisciente e onipresente que governa as colônias, como o grande irmão de George Orwell.

Assim, com vigilância constante e pesada, os seres humanos fazem a sociedade funcionar como uma colônia de insetos o faria: cada um trabalhando em sua função específica, sem jamais questionar a ordem; sem necessidade de exercer o livre arbítrio.

Claro que, em histórias assim, sempre há o indivíduo disposto a subverter a ordem estabelecida. Em Órbis, esse indivíduo é o Caput Musin que, tomado de um sentimento até aquele momento estranho a ele, resolve explorar o novo e acaba por descobrir muitos segredos escondidos.

O que o livro tem de bom:

O argumento. Apesar de não ser um argumento novo ( o tema já foi batido muitas vezes na literatura e também no cinema) esse tipo de história nunca cansa porque pode ser explorada de diversas maneiras.

A estruturação. Criar uma sociedade inteira não é trabalho fácil. É preciso muito empenho e organização, mas Aurélio Mendes foi impecável nesse quesito. Criou a sociedade com suas classes, suas colônias, e até mesmo uma prisão -
Exória -  para aqueles que subvertessem a ordem estabelecida.

O neologismo. Os autores nacionais costumam ser muito conservadores quando se trata de brincar com nossa língua. Eu acho simplesmente o máximo quando um autor resolver brincar com as palavras e criar termos novos que não estão no dicionário mas que qualquer um pode entender do que se trata. Não que tenha sido a marca principal da narrativa mas eu gostei de encontrar no decorrer do texto.

O que não é tão bom:

A narrativa é apressada. Como se o livro não tivesse sido terminado ou fosse escrito às pressas. O autor não dá ênfase aos sentimentos de Musin, não dedica as palavras necessárias para que o leitor sinta algum tipo de empatia pelos personagens. De fato, a transição entre os eventos é tão precipitada que, em alguns momentos, é preciso reler pra entender a história.

A revisão. Normalmente passamos por cima das revisões de livros independentes aqui no blogue porque sabemos como é difícil publicar o próprio livro e, como já mencionamos anteriormente, mesmo Editoras de grande porte costumam apresentar problemas em seus textos, mas, no caso de Órbis, nós vamos abrir uma exceção porque a maior parte dos problemas de revisão se deve a escolhas feitas pelo autor.

O autor optou por usar uma linguagem grandiloquente, pomposa, para construir sua narrativa. Provavelmente foi inspirado pelos autores que ele mesmo gosta de ler. Acontece que esse tipo de recurso só funciona se o texto for impecável. Há problemas de tempo verbal principalmente, o que fez o texto, ao invés de parecer grandiloquente, ficar pernóstico, pretensioso demais.

Também achei a pontuação extremamente excessiva e, em alguns trechos, o autor usou a pontuação como recurso pra exprimir sentimentos que não conseguiu ou preferiu não botar em palavras.

Nada disso desmerece a história.

Na humilde opinião dessa blogueira, Órbis é uma grande história, que só precisa ser melhor contada.

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Ficha Técnica:
Título: Órbis
Autor: Aurélio Mendes
Editora: (Edição do Autor) Clube de Autores
Ano: 2013